Biografia – Bola Rolando

Tita passou por todas as divisões de base do Flamengo, que naquela época eram apenas duas antes do Profissional: Escolinha e o Juvenil. Ao seu lado desde os primeiros toques havia alguns jogadores que chegaram ao time principal, entre eles um velho conhecido e campeão rubro-negro: o meia Adílio.

Foram dois anos em cada time encontrando treinadores como Zizinho- o primeiro- Seu Pavão, Marinho e Jaime Valente, este que o treinou no Juvenil tendo como preparador-físico um iniciante Sebastião Lazzaroni, que viria a comandar a seleção brasileira.

Desde o início no Flamengo, pelo porte franzino Tita se acostumou com a palavra “coringa”, que hoje foi substituída pela expressão “jogador versátil”. E atuou praticamente em todas as posições do meio-campo para frente: ponta-direita, esquerda, volante e ponta-de-lança, esta última a que ele se sentia mais à vontade.

Talentoso e muito veloz, chamou a atenção do preparador-físico Roberto Francalacci, que desenvolveu trabalho de fortalecimento muscular semelhante ao de Zico, cinco anos mais velho. Na medida em que ele evoluía fisicamente, seu futebol chamava a atenção. Jaime Pimenta Valente Filho foi um dos treinadores mais importantes em sua carreira. Foi ele que, durante passagem de seis meses como interino do time Profissional no final de 1977 e início de 1978, levou Tita para a equipe principal. Jaime foi zagueiro do clube nos anos 60.

Desde 1976 ele já participava de alguns treinamentos com a equipe principal, mas a primeira oportunidade de jogar ocorreu em 5 de fevereiro de 1977, num amistoso de abertura da temporada contra o Fluminense, no Maracanã. Na ocasião, o Flamengo cedeu vários jogadores à seleção. Tita e Calu, que ainda eram juvenis, foram chamados para o jogo. O Flamengo venceu por 3 x 1, mas os dois Juvenis roubaram a cena: Tita com a boa atuação no meio e Calu marcando dois gols.

Legítimo representante da linhagem de grandes Camisas 10 da Gávea, Tita teve no ano de 77 a possibilidade de integrar o Profissional fazendo a pré-temporada e participando de alguns jogos. Nesse ano de estréia, o craque foi submetido a um “batismo de fogo”. Coube a ele falhar o pênalti que representou a perda do título do Campeonato Estadual. Um pacto informal entre os jogadores logo após aquela partida, em 28 de setembro, abriu caminho para a série de conquistas do Flamengo que colocariam o clube na galeria das maiores equipes de todos os tempos.

Tita permaneceu até 1985 na Gávea e conquistou nada menos que 18 títulos, entre eles 4 Campeonatos Cariocas, 2 Brasileiros, a Libertadores e o Mundial de Clubes, o título máximo, em 1981. Nesse período fez parte da chamada Geração de Ouro com Zico, Junior, Leandro, Adílio, Andrade e cia.

Por ter se destacado com a camisa do Flamengo, ainda jovem ganhou a primeira oportunidade com a seleção brasileira. Em 1979, com apenas 21 anos, estreou na vitória por 2 x 1 contra a Argentina e marcou um gol.

Por ter se destacado com a camisa do Flamengo, ainda jovem ganhou a primeira oportunidade com a seleção brasileira. Em 1979, com apenas 21 anos, estreou na vitória por 2 x 1 contra a Argentina e marcou um gol.

Com a intenção de brigar por uma posição como ponta-de-lança, em 1983 Tita passou uma temporada fora do Flamengo. Havia propostas de outros clubes, entre eles do São Paulo, mas ele optou pelo Grêmio, que estava formando aquela que seria uma das mais fortes equipes da história do Tricolor Gaúcho. Rápida passagem, mas igualmente vitoriosa. Tita fez um dos gols na final da Copa Libertadores contra o Peñarol. Só não foi campeão mundial de clubes pela segunda vez porque o contrato acabou e ele retornou ao Flamengo.

Tita acabou retornando ao futebol gaúcho em 1985, mas desta vez no grande rival dos gremistas, o Internacional, que contava com o ex-companheiro e ex-treinador do Flamengo, Paulo César Carpegiani. A essa aquela jovem equipe do Grêmio já estava madura e, apesar de um excelente desempenho individual com a artilharia do Campeonato Gaúcho, Tita passou duas temporadas sem conquistar título.

Em 1987 a carreira do jogador passou por uma grande mudança. Finalmente ele encontrou um grupo afinado em que pôde atuar na sua posição preferida. Por ironia do destino foi no maior rival do Flamengo que surgiram essas condições. Contratado pelo Vasco da Gama, Tita passou a tabelar com o ídolo vascaíno Roberto Dinamite e com um jovem craque em ascensão chamado Romário. O trio, por sinal, virou a sensação do time campeão carioca. A artilharia do campeonato teve os três: Romário, Roberto e Tita, pela ordem.

O desempenho daquele ano chamou a atenção de times estrangeiros e foi impossível segurá-lo no país. Tita embarcou para jogar no Bayer, da cidade de Leverkusen, na Alemanha, e encontrou uma equipe competitiva, apesar de um histórico que graduava o clube como mediano. O Bayer Leverkusen jamais havia conquistado um título expressivo. Por trás do time estava a industria farmacêutica Bayer. Tita marcou gols importantes no time alemão e um deles foi decisivo, na final da Copa da Uefa, em que o Bayer sagrou-se campeão, em 1988, vencendo o Espanyol na disputa de pênaltis após uma vitória de 3 x 0 no tempo normal. Tita era o único jogador brasileiro no futebol alemão naquela época.

Da Alemanha, para a Itália. Atendendo a um convite do amigo Junior, que o indicou para o Pescara, Tita seguiu para a terra das suculentas massas no início de 1989. O time não era tão competitivo, mas ainda assim ele marcou 17 gols em 31 jogos antes de se transferir de volta ao Brasil para atuar novamente no Vasco. A segunda passagem pelo time de São Januário foi curta como a primeira, embora também tenha sido vitoriosa. O Vasco havia montado uma equipe muito forte e como conseqüência disso o time acabou campeão brasileiro naquele ano. Em 1990, ainda conquistou a Taça Guanabara antes da transferência para o futebol mexicano, onde faria história com a camisa do Club León.

Quando chegou, o time mexicano buscava retomar uma trajetória vitoriosa. León era uma equipe tradicional, mas estava há 39 anos sem um título e tinha caído para a segunda divisão. No ano que chegou, o time voltou à elite. Na segunda temporada de Tita, o León sagrou-se campeão mexicano e o craque teve atuação destacada. Jogando com a 10, marcou gols importantes em partidas decisivas. Tornou-se ídolo não só no clube como na cidade.

Foram seis anos no futebol mexicano e a trajetória no León foi interrompida apenas uma vez, na temporada 94/95, quando Tita passou rapidamente pelo Puebla. Mas o coração do craque era mesmo verde e branco, por isso ele retornou. Encerraria sua carreira no León não fosse um desentendimento com o presidente do clube seguido por um convite do Comunicaciones, da Guatemala. Atendendo ao conselho da esposa, que queria ver o marido encerrar a carreira jogando, Tita seguiu para o futebol guatemalteco levando o companheiro brasileiro Marquinhos, com quem jogou no León.

O apito final da carreira como jogador não podia ser diferente. Vencedor, Tita abandonou os campos sendo campeão pelo Comunicaciones. Em 1997, a bola parou de rolar para ele como atleta profissional. Mas o futebol só saiu de sua vida por um breve período.