Biografia – Aquecimento

Milton Queiroz da Paixão nasceu no dia 1º de abril de 1958 e foi o primeiro dos três filhos de Milton Henriques da Paixão, já falecido, e Walstir Queiroz da Paixão. Foi no bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, que o pequeno Milton abriu os olhos para o mundo, mas na Rua Doze, em Irajá, ele deu os primeiros passos e toques na bola de futebol. E graças à mãe ganhou o apelido com o qual ficaria conhecido. “O pai era Milton e o filho também. Para diferenciar passei a chamá-lo de Miltinho, depois de Miltita até que virou Tita”, conta Dona Walstir, que teve ainda outros dois filhos: Mardson Queiroz da Paixão, nascido em 1959, é Engenheiro Mecânico pós-graduado em Direito e atua no ramo de patentes de aviação; e Walstir Henrique da Paixão, que tem o mesmo no da mãe, nasceu em 1961 e é médica gastroenterologista. Os dois moram nos Estados Unidos.

O pai de Tita era flamenguista e levava o filho aos jogos no Maracanã. Nas peladas disputadas na Rua Doze, Tita tentava imitar o que via da arquibancada do estádio. Nascido no ano do primeiro título mundial, filho de um jogador de futebol amador, corria pelas veias o gosto pela bola. Paixão não estava só no sobrenome, valia também para o sentimento pelo futebol. A rotina era quase sempre a mesma: ir para a escola Conde Pereira Carneiro, voltar e fazer as lições para depois poder jogar bola na rua.

“Desde os 4 anos de idade ele já fugia para jogar. Eu costumava ler histórias para ele, mas às vezes dormia e, quando me dava conta, Tita estava no campinho jogando bola. Sempre foi muito cooperativo, disposto a servir, e acima de tudo decidido. Quando queria uma coisa agia com firmeza”, conta a mãe.

Aos 11 anos Tita já tinha seu time de rua, que não por acaso se chamava Flamengo, e o futebol ganhava a cada dia mais espaço na vida do rapaz. Até que, nos primeiros dias de 1970, ao ir com dona Walstir ao Centro da Cidade para comprar um uniforme novo, Tita encontrou numa loja de material esportivo o Sr Ramalho, um dirigente rubro-negro. Ramalho viu que Tita era torcedor do Flamengo, fez algumas perguntas e acabou convidando o menino para um teste nos dentes-de-leite.

Convite aceito com entusiasmo, no último domingo de janeiro lá estava Tita e seu pai para o sonhado primeiro treino. Talvez tenha sido a ansiedade ou mesmo um golpe do destino, mas o fato é que Tita naquele dia sentiu muitas dores de ouvido. Apesar do desapontamento, Seu Milton acabou conversando com o treinador, Zizinho, que autorizou a mudança do teste para o outro sábado .

Logo no primeiro treino Tita se saiu tão bem que no dia seguinte já estava de uniforme jogando no intervalo de uma partida dos profissionais do Flamengo na Gávea, um amistoso contra o Vila Nova. Era o Flamengo “A” dos dentes-de-leite contra o “B”, o do Tita, com o uniforme branco. O jogo durou pouco menos de 15 minutos, mas novamente ele empolgou até mesmo quem estava na arquibancada. Rápido e com boas jogadas, arrancou aplausos dos torcedores como se fosse o prenuncio do que viria a acontecer. Naquele ano de 1970 o time profissional tinha Liminha, Fio, Doval e Arilson, enquanto nos dentes-de-leite Tita estava aprovado. O primogênito da família Paixão iniciava sua carreira no clube mais popular do país.